segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A "JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA" SÓ PODERIA DAR NA "POLITIZAÇÃO DA JUSTIÇA"!
1. Os políticos têm reclamado muito das intervenções e decisões antecipadas de ministros do STF, procuradores e juízes na política, especialmente no parlamento. Mas este é apenas um desdobramento da ação dos próprios políticos.
2. A cada vez que uma lei é aprovada e que contraria a opinião dos que perderam a votação, imediatamente os perdedores vão aos microfones e à imprensa anunciar que estão recorrendo à Justiça, ao Supremo ou ao Ministério Público contra essa decisão. Correm ao STF cercados de repórteres e câmeras. E brilham nos telejornais.
3. E, naturalmente, juízes e procuradores decidem ou opinam em cada caso. A isso se chamou de "judicialização da política". Ou seja, os políticos transferindo seu poder de decidir à justiça. E não se trata de casos isolados, mas de procedimentos sistemáticos e rotineiros por qualquer fato.
4. Com isso, a imprensa passou a conhecer a opinião de ministros superiores, juízes e procuradores antes das tramitações de leis e decisões serem definidas. Afinal, vença quem vencer, o recurso à justiça ou ao MP será inevitável nas questões maiores ou menores.
5. O tradicional era que esses recursos à justiça ocorressem contra atos do executivo, questionando sua competência e constitucionalidade. Mas depois, e cada vez mais, os recursos passaram a ser pelo litígio em torno de leis decididas dentro do próprio parlamento, portanto, entre os políticos e partidos.
6. Um tempo atrás, quando os magistrados eram acionados pela imprensa sobre leis em tramitação, sempre respondiam que não podiam se antecipar aos fatos e que só opinariam nos autos depois das leis serem aprovadas e os recursos apresentados com suas razões.
7. Na medida em que -por exclusiva culpa dos próprios políticos- a política foi judicializada, os magistrados -naturalmente- passaram a opinar fora dos autos, pressionados pela imprensa, já que esse caminho será o caminho a ser percorrido após a votação dessa ou daquela lei. A chamada reforma político-eleitoral é apenas um exemplo em destaque.
8. Com isso, a judicialização da política inverteu-se e passou a ocorrer a "politização da justiça". Se isso, antes, ocorria eventualmente, agora passou a ocorrer sistematicamente. A imprensa fica de plantão na porta do STF e acossa um ministro ao descer de seu carro, pressionando por sua opinião.
9. E até uma palavra, um sorriso ou uma cara feia passam a ser a opinião dos ministros. E além dos jornalistas especializados nos bastidores políticos, no parlamento, nas residências, nos restaurantes e nos lugares públicos, agora os mais prestigiados nos telejornais, nos sites e nos blogs, passaram a ser os especializados nos bastidores do judiciário.
10. Uma inevitável consequência do pecado original dos políticos. Como se diz no 'cancioneiro' popular: era Missa Anunciada.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Melhor encarar como uma espécie de comédia – para não sofrer junto.

Há a esperança de que nesse tiroteio – que vai se definir melhor assim que o ministro do Supremo, Teori Zavatski, permitir a divulgação da lista dos políticos acusados no petrolão, incluindo provavelmente tanto o presidente da câmara dos deputados, Eduardo Cunha, quanto o do Senado, Renan Calheiros – se acertem alguns corruptos. Mas isso não vai aliviar nada para a presidência, que no momento está empenhada em aliviar para as empreiteiras envolvidas, que só estão esperando a hora de jogar a toalha e revelarem o que sabem, para se salvar. Não creio que haja alguma perspectiva de curto prazo em criar algum espírito público nessa gente toda. É briga de branco – e branco de segunda. Quanto mais se acertarem uns aos outros, melhor. Abdiquemos de qualquer pretensão de dignidade neste ano. Todas as mazelas estão ficando à vista.
Melhor encarar como uma espécie de comédia – para não sofrer junto.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Quem viver verá !!

POLARIZAÇÃO PSDB-PT ERA FALSA! ABRE-SE UM NOVO CICLO!
1. Por anos –analistas de todos os tipos- insistiam que a política brasileira vivia num sistema bipolar entre PSDB e PT, e um pluripartidarismo de periferia. Uma ilusão de ótica política. O ciclo PSDB-PT foi um ciclo de controle da máquina federal, com lastro num quadro econômico favorável (plano real/boom internacional) e personagens de destaque – FHC e Lula.
2. Na medida em que o quadro internacional se desintegrou e que a crise econômica interna formou seu próprio ciclo que já dura 5 anos e pode avançar mais ainda, que os personagens perderam brilho e que os “sucessores” são opacos, a tal bipolarização se desfez como pó e surgiu aquilo que é a realidade: um sistema pluripartidário pulverizado.
3. A capacidade de aglutinação nesse pluripartidarismo de 28 partidos no parlamento desfez-se: sem líder presidencial em meio à crise contínua, sem flexibilidade fiscal, sem ideias, e no meio de um tsunami moral. Abriram-se as portas para uma nova aglutinação, fora do controle do executivo.
4. Acabou a bipolarização. Nas eleições para presidentes da Câmara e do Senado e escolha das presidências das principais comissões, tanto o PT quanto o PSDB ficaram de fora. O PT por inanição política e o PSDB por acreditar que a votação presidencial em 2014 havia sido para ele. A votação presidencial em 2014 foi de rejeição ao governo do PT e não de afirmação dessa ou daquela alternativa.
5. Abriram-se as portas para um bloco, com forças da base “aliada” e da oposição. Formou-se uma Comissão Especial de Reforma Política, que tem a oportunidade de desenhar um sistema que corresponda a realidade política brasileira e não reforce ou reconstrua essa falsa bipolarização.
6. As teses do PT que lhe dão grande vantagem para manter-se como partido hegemônico estão liminarmente derrotadas. O PSDB imagina que as teses que lhe interessam terão respaldo parlamentar como se fosse alternativas ao PT. Não são, pois reforçam a bipolarização.
7. Abre-se um novo ciclo para a política brasileira. Quem viver, verá!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O sangue ainda corre na amazônia


Dez anos após o assassinato de Dorothy Stang, os mandantes do crime continuam em liberdade e o círculo vicioso de exploração, violência e impunidade segue imperando na Amazônia.




"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus". Estas foram as últimas palavras ditas por Dorothy Stang antes de ser alvejada por seis tiros, em uma estrada deserta de terra batida no interior do Pará. A missionária norte-americana tinha 73 anos de idade. Segundo seu executor, Rayfran das Neves, quando percebeu a aproximação da moto que levava seus assassinos, a freira abriu a Bíblia que carregava debaixo do braço e começou a rezar. O livro, inseparável, foi seu único consolo naqueles solitários segundos finais.
Neste 12 de fevereiro, o assassinato de Dorothy Stang completa dez anos, sem que os mandantes pelo crime tenham sido, de fato, presos. Depois de sucessivos julgamentos e do polêmico cancelamento do veredicto que condenou Vitalmiro Bastos de Moura a 30 anos de prisão, tanto ele como o outro mandante, Regivaldo Pereira Galvão, continuam livres. O caso, ao invés de exceção, infelizmente é a regra e retrato fiel da violência e impunidade que assolam comunidades rurais de todo o Brasil e especialmente da Amazônia.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O cara certo no lugar certo............

O presidente de banco que esconde dinheiro em casa vira comandante da Petrobras.
Em 28 de agosto de 2014, o país ficou sabendo que o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, guarda dinheiro vivo em casa desde que virou figurão do mundo das finanças. O estoque de cédulas é de dar enfarte em escriturário: na declaração ao Fisco referente a 2012, por exemplo, ele calculou em R$ 280 mil a reserva doméstica.
Um presidente de banco que prefere esconder sob o colchão o que poderia aplicar na instituição que dirige não merece dirigir sequer um carrinho de cachorro-quente. Mas não é tudo. Dois dias depois, as investigações sobre a origem dessa e de outras boladas ainda engatinhavam quando aumentou a suspeita de que o gabinete reservado ao presidente da velha instituição financeira talvez hospedasse um caso de polícia.
Em 30 de agosto de 2014, numa reportagem de página inteira, a Folha de S. Paulo informou que Bendine também andou distribuindo dezenas de malas atulhadas de cédulas. A revelação foi feita por Sebastião Ferreira da Silva, o Ferreirinha, ex-motorista do Banco do Brasil. Nesta sexta-feira, por decisão de Dilma Rousseff, o investigado foi promovido a presidente da Petrobras devastada pela maior roubalheira da história.
Bendine agora comanda a pátria do Petrolão. Parece o homem certo no lugar certo.


                                  

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

E os boizinhos ?

Sobre o caso dos Buldogs franceses maltratados pelo namorado da dona de nome Rafael Hermida e flagrado em uma gravação feita pela própria.......todos se comoveram....e estão marcando uma manifestação na porta do seu estabelecimento na Barra......quero expressar meu apoio e espero q aja punição para o caso...mas quero aproveitar e levantar uma questão......o q acontece em relação aos animais q são sacrificados nos abatedouros para servirem de alimento a raça humana...esses animais são muito mais barbarizados, dos cavalos usados para tração animal e forçados a trabalhar em condições terríveis, dos cães maltratados nas ruas de nossas cidades e abandonados a toda sorte...quando se coloca um boizinho ou uma vaquinha com tempero e molho do seu próprio sangue no seu prato isso não causa comoção porque ?



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Dilma declara guerra contra o estado laico.

Há uns anos vi uma cena educativa, quando fui buscar meu enteado na escolinha. Havia perto da entrada da escola um despachozinho de São Cosme e Damião, com balas e pequenos brinquedos. E um pai evangélico, que estava chegando, foi possuido de fúria cênica, chutando violentamente o despacho aos gritos de “é macumba”.
Não havia o menor traço educativo na atitude dele, mesmo que ele me tenha explicado depois que “estava preocupado com a possibilidade das crianças serem atraídas pelo despacho”. Mas o que ele impôs naquele momento foi um clima exaltado de terror, culpa e punição – e quem ficou preocupado fui eu, pensando no que é que é que as crianças iam (des)entender de tal surto.
É essa disputa do real em que está envolvido o neopentecostalismo. Diante do caos do mundo, não se trata de preparar, tranquilizar e instruir as pessoas, mas de impor mais medo. É jogar gasolina no fogo. O cruel é que, como no caso da repressão policial e militar, trata-se de fazer um jogo duplo e oportunista, de exaltar simbolicamente o que se diz combater.
Não é à toa que idéias militaristas de disciplina, ordem e combate estão envolvidas na religião, com termos recorrentes como “exército de cristo”. Porque as religiões monoteístas ensinam que há FORA de cada pessoa um foco infalível e inquestionável de moral, e que é melhor “temê-lo” e “obedecê-lo”, já que ele está fora, e não dentro. E a seus representantes, claro.
Cria ódio na cadeia hierárquica haver gente (a maioria, na verdade) que não é tomada por esse temor e por essa obediência – e seguir questionando e tentando entender, com seus próprios meios, em seu próprio nível de percepção e intuição, quais são as implicações éticas em estar vivo e no mundo.
É da possibilidade de enfrentar com coragem moral essa charada central da condição humana que os nós, os “infiéis” não queremos ser roubados. Porque no fundo essa é a única dignidade possível diante do caos: enfrentá-lo e não ser devorado por ele. E não a negação simétrica e improdutiva dele, com a imposição de uma ordem artificial e medíocre, dirigida sabe-se lá por quem.
Quando Dilma, em visita à Assembléia de Deus, na última sexta-feira, em São Paulo, declara que “o estado brasileiro é um estado laico mas, citando o salmo de Davi, queria dizer que feliz é a nação cujo senhor é deus”, ela está errada três vezes. Primeiro, por trair seus eleitores e o povo brasileiro todo, atribuindo a um certo deus (o “deus” cristão de Davi) uma prerrogativa sobre todas as concepções, inclusive a atéia, e a de religiões não-teístas como o budismo.
Segundo, por abdicar, como presidente, do poder. A “senhora” executiva eleita é ela; e os três poderes reconhecidos na constituição do estado laico não incluem os poderes invisíveis – exatamente porque não há como contemplá-los sem cometer injustiças. E terceiro, está ela também jogando gasolina na fogueira dessa onda de arrogância teísta.
O texto O Brasil É Macumbeiro abordava o assunto, mas a “guerra santa” dos crentes continua sempre recrudescendo. Os ataques a terreiros (obviamente as religiões de matriz africana são o principal alvo) e mesmo a igrejas católicas se multiplicam, destruindo até patrimônio artístico, como uma santa de 1857 em Sacramento, Minas Gerais, ou outras imagens sacras do século 18, em Umari (Ceará).
O bispo da Igreja Universal do Reino de Deus que destruiu uma imagem de Nossa Senhora em seu programa Despertar da Fé na tv Record, em 1995, deu o sinal inicial dessa guerra. O tom do Cid Moreira no vídeo abaixo mostra como a provocação funcionou. E o exemplo do bispo é cada vez mais seguido. Até traficantes convertidos ao neopentecostalismo são recrutados para as agressões, como se vê aqui. Assustador, mas é há muitos anos um fato usual nas periferias do Rio de Janeiro.
Evidentemente a fala de Dilma (assim como sua visita ao Templo de Salomão, na semana retrasada) é um artifício eleitoreiro. Mas não só. É compromisso mesmo, e submissão à chantagem neopentecostal. O deputado federal evangélico e líder do PMDB Eduardo Cunha também discursou nesta visita à Assembléia de Deus. Cunha é da base do governo, mas sempre apronta contra o Planalto.
E tirou sua casquinha da presença presidencial. Comemorou a revogação da portaria do Ministério da Saúde que regulamentava o aborto por estupro, risco à vida e anencefalia no SUS, por pressão evangélica, ferindo os direito legais femininos, e exaltou a perseguição religiosa aos gays. Dilma, que discursou depois, teve que ficar calada e se omitir em relação à fala do deputado.

Este "país feliz" certamente não é todo ele subordinado ao “senhor deus” de Davi, do “bispo” Edir Macedo e do “bispo” Manuel Ferreira (da mesma igreja do candidato à presidência Pastor Everaldo). Há uma parte da população evangélica, certamente, mas ela não tem a menor autoridade moral sobre o resto – e nem está autorizada a “lutar” para impor suas visões sobre quem as acha retrógadas, irracionais e absurdas.